Aluno: Pedro Pedroza Cardoso – agente_pedroza@yahoo.com.br
Fundação Universidade Federal de Rondônia - UNIR
Curso de Bacharelando em Arqueologia - 7º Período
Cadeira de Arqueologia da Floresta Tropical
Cadeira de Arqueologia da Floresta Tropical
Professor Carlos Augusto Zimpel
Resumo
Este trabalho tem a intenção de colaborar com a compreensão da Arqueologia Histórica de Rondônia e
ainda abrir uma oportuna discussão acerca do descaso com que é tratado o
patrimônio histórico cultural do Estado. Salienta ainda questões acerca
do passado recente dos nossos habitantes, bem como a difícil e conflitante
interação entre os povos indígenas e os exploradores e colonos que por aqui
passaram e se instalaram, formando vilas e cidades dentro da floresta amazônica.
Enfatizamos também que esta pesquisa procura contribuir com o fortalecimento da nossa
identidade social, pois tenta alertar os Rondonienses sobre a
importância de conhecermos nosso passado recente, para que assim possamos
respeitá-lo, passando a consciência e desejo de preservação dessas riquezas
culturais para as gerações vindouras.
Palavras-chave: Arqueologia Histórica. Preservação do Patrimônio.
Identidade Cultural.
1 – Introdução
É notório que o
Estado de Rondônia possui inúmeros patrimônios históricos que necessitam
urgentemente de serem estudados e pesquisados mais profundamente, bem como restaurados, preservados, musealisados e, em
muitos casos, apresentados à população.
Escolhemos
três temáticas principais para esta discussão: O Real Forte do Príncipe da Beira (localizado na cidade de Costa
Marques, às margens do Rio Guaporé), As
Linhas e Postos Telegráficos (deixados pela Comissão Rondon, restando apenas
dois postos localizados nas cidades de
Vilhena e Ji-Paraná) e A Estrada de
Ferro Madeira-Mamoré (estendendo-se da Capital Porto Velho até a cidade de
Guajará Mirim), que de longe são os nossos principais e mais conhecidos
patrimônios históricos, porém não menos abandonados e frutos do descaso do
Poder Público.
2 – O Real Forte do Príncipe da Beira – Breve Relato Histórico
O Real Forte do Príncipe da Beira,
também conhecido como A Fortaleza do
Príncipe da Beira, que está situado na margem direita do Rio Guaporé, na
cidade de Costa Marques – RO, encontra-se em posição privilegiada na fronteira
com a República da Bolívia e é considerada uma das maiores fortalezas
edificadas no Brasil durante o período colonial.
“Com
um perímetro de 970 metros, muralhas de dez metros de altura e quatro
baluartes, onde encontramos um total de 56 canhonetas, o Real Forte do Príncipe
da Beira representava a onipotência da Coroa Portuguesa” (Oliveira, 2004).
Figura
01 – Real Forte do Príncipe da Beira
Fonte - www.pordentrodamidia.com.br
Fonte - www.pordentrodamidia.com.br
Em meados do século XVIII, com o intuito de assegurar
o domínio sobre o Vale do Guaporé e também o contínuo fluxo de navegação
fluvial, bem como eliminar as pretensões de Espanha sobre a área, a Coroa Portuguesa
resolveu construir um forte militar estratégico na margem direita do Rio
Guaporé, fronteira do Brasil com o Vice-Reino do Peru.
Esta árdua
missão ficou sob a responsabilidade do Capitão General Dom Luiz Albuquerque de
Melo Pereira e Caceres, então Governador da Capitania de Mato Grosso, que tomou
todas as providências para cumprir as ordens de D. José I, rei de Portugal.
“A soberania e o respeito de Portugal
impõem que neste lugar se erga um Forte, e isso é obra e serviço dos homens de
El-Rei nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais
trabalhoso que isso dê, (...) é serviço de Portugal. E tem que se cumprir.”
D. Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, junho de 1776.
Então, aos 29
dias do mês de junho do ano de 1776, foi fixada a pedra fundamental no alicerce
do ângulo do baluarte Nossa Senhora da Conceição, que fica na direção do
poente, assim sendo oficialmente dado o início da construção sob a
responsabilidade do engenheiro militar Domingos Sambocet.
Trabalharam
neste empreendimento mais de duzentos operários e artífices de várias
especialidades, provindos de Belém e do Rio de Janeiro e ainda centenas de
escravos. A obra foi concluída em 1783, pelo Capitão Ricardo Franco de Almeida
Serra, que teve que substituir Domingos Sambocet, falecido durante a
construção, vitimado pela malária.
As rochas
usadas na construção foram encontradas no próprio local e a Cal foi obtida em
Belém, Albuquerque e Corumbá. A artilharia é provinda de Lisboa. O Capitão de
Dragões foi o primeiro comandante da fortaleza que, além do intuito de assegurar
a posse do Rio Guaporé para Portugal, seria ponto de apoio para a contínua expansão
lusitana na direção oeste até as minas no Vice-Reino do Peru.
A partir do
final do século XVIII, com a consolidação do domínio lusitano sobre a região, o
forte perdeu a sua importância estratégica. Em 1864 a fortaleza contava com
apenas dez soldados, onde sete deles estavam destacados no Presídio das Pedras.
No século XIX foi usado como presídio político, guarnecido com quatorze praças
e um tenente. Abandonado à época da Proclamação da República, o forte passou à
guarda do Estado do Mato Grosso.
Marechal
Rondon, em 1914, visitou as ruínas e efetuou trabalhos de limpeza no local, contudo
demorou mais dezesseis anos, ou seja, só em 1930, para que uma nova expedição
do Exército as revisitasse, guarnecendo-as novamente dois anos depois com a
instalação do Contingente Especial de
Fronteira do Forte Príncipe da Beira. (Fonte Ovídio Amélio de Oliveira).
Figura
02 – Marechal Rondon visitando o Forte
Fonte - www.alekspalitot.blogspot.com.br
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2.1 – O Legado Patrimonial
Abandonado e
vítima de descaso por décadas pelo Poder Público, o Real Forte do Príncipe da
Beira, que é um dos marcos mais monumentais da ocupação portuguesa na
Região Amazônica, começou a ser estudado
em 2009 para futuramente ser restaurado e musealisado.
Figura
03 – Ruínas do Real Forte Príncipe da Beira
Fonte - www.globoamazônia.com in www.injipa.com.br
Fonte - www.globoamazônia.com in www.injipa.com.br
Um projeto de
recuperação de fortificações do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional) permitiu conhecer de forma mais esclarecedora como era a
rotina no Forte. Milhares de artefatos foram encontrados nas escavações da
parte interna. Os trabalhos foram realizados por uma equipe composta por
arqueólogos, biólogos, engenheiros e arquitetos especialistas em construções do
século 18, pesquisa desenvolvida por Fernando Marques, Arqueólogo do Museu Paraense Emilio Goeldi (www.injipa.com.br).
Figura
04 – Unidades Abertas no interior do forte
Fonte - www.globoamazônia.com in www.injipa.com.br
Fonte - www.globoamazônia.com in www.injipa.com.br
Segundo o coordenador dos trabalhos, observando os artefatos arqueológicos recolhidos durante as escavações, pode-se observar a
interação entre os militares e a população da região, pois foram recolhidas
louças europeias misturadas com cerâmicas nativas. Dentro do espaço físico do
forte havia uma capela, um hospital, um boticário e nas suas proximidades foram
sendo erguidas comunidades.
Figuras
05 e 06 – Artefatos encontrados durante as escavações
Fonte - www.globoamazônia.com in www.injipa.com.br
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Infelizmente,
após as escavações e recolha do material, novamente o Real Forte do Príncipe da
Beira foi abandonado pelo Poder Público, que não deu prosseguimento ao projeto
de musealisá-lo, alegando falta de condições financeiras.
3 – As Linhas e Postos Telegráficos de Rondon – Breve Relato Histórico
As expedições
na Amazônia no fim do século XIX e princípio do século XX surgiram da
necessidade de integrar as regiões pouco exploradas do Brasil, devido a isso o
governo brasileiro iniciou uma política de ocupação e povoamento. Essa política
abrangia uma grande região, desde o Mato Grosso ao Amazonas. A ideia era
colonizar estas áreas com população não indígena, construir estradas, educar os
índios, instalar meios de comunicação, etc.
Com este
intuito o Exército reorganizou em 1880 o Batalhão de Engenheiros, que se
dedicava à construção de linhas de caminhos de ferro e de linhas telegráficas.
O Marechal Rondon pertenceu e chefiou algumas das comissões criadas para a
construção das linhas telegráficas.
As expedições
realizadas permitiam ainda explorar geográfica e cientificamente regiões vastas
e desconhecidas. Neste âmbito, o antropólogo Edgar Roquette-Pinto, acompanhou a
Comissão Rondon, tendo documentado a parte científica, ao debruçar-se
essencialmente sobre as tribos Parecí e Nambiquarás.
Em 1900,
Cândido Mariano da Silva Rondon, jovem oficial do Exército, tornou-se chefe da
Comissão de Linhas Telegráficas do Estado do Mato Grosso e, em 1907, comandou a
Comissão de Linhas Telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas. Sendo ela conhecida
como Comissão Rondon, que aconteceu entre 1907 e 1915.
Os principais objetivos
eram a integração dessas áreas desconhecidas à nação brasileira, expandir a
autoridade do Estado Central e o reconhecimento, demarcação de terras,
exploração dos rios, entre outros.
Durante um
discurso em que demonstra ser partidário de Getúlio Vargas, Rondon expressa
claramente qual era a visão e política do Governo para com a Amazônia:
"Por
este conduzir a bandeira política e administrativa da Marcha para o Oeste,
visando ao alargamento do povoamento do sertão e de seu aproveitamento
agropecuário com fundamentos econômicos mais sólidos e eficientes. Homenagem
pela sua expressão de simpatia para com os indígenas e disposição de ocupar o
vazio do território que permanecia despovoado."
Rondon e sua
comissão, formada por botânicos, zoólogos, antropólogos, geógrafos, entre
outros especialistas, investigaram, analisaram e constataram o clima, as
doenças, rios, plantas, animais, o solo, a agricultura e todas as condições dos
lugares. Além disso foram construídos aproximadamente 4.500km de linhas
telegráficas, 55 estações, construção de estradas, pontes, e
principalmente, a elaboração de mapas de lugares, ate então desconhecidos.
Figura
07 – Comissão Rondon
Fonte - www.comissaorondon.blogspot.com
Fonte - www.comissaorondon.blogspot.com
Logo após a
conclusão da rede de linhas telegráficas do Mato-Grosso ao Amazonas, surgiu o
rádio, que de imediato suplantou por completo o lugar do telégrafo nas
comunicações.
A Comissão
teve grande importância em se tratando de desenvolvimento científico e
comunicação viária, contudo são conhecidos depoimentos de índios parecís que
afirmam que foram vítimas do desenvolvimento das linhas telegráficas, uma vez
que seu território foi adulterado e de certa forma foram forçados a integrar-se
na “civilização”, com o sacrifício da identidade cultural. (Fonte Abnael
Machado de Lima).
3.1 – O Legado Patrimonial
No caminho
aberto pela linha telegráfica nasceram povoações que anos mais tarde
tornaram-se municípios, como: Vilhena, Pimenta Bueno, Cacoal, Presidente Hermes
(hoje Presidente Médice), Presidente Pena (hoje Ji-Paraná), Jarú e Ariquemes.
Figura
08 – Localização dos Postos Telegráficos no Estado de
Rondônia
Fonte - Abnael Machado de Lima
Todas estas
localidades abrigaram postos telegráficos, que nos dias atuais, ou foram
totalmente destruídos, ou estão em péssimo estado de conservação.
Figuras
09 e 10 – Postos Telegráficos de Vilhena e Pimenta Bueno
Fonte - www.amazôniadagente.com.br
Fonte - www.amazôniadagente.com.br
Figuras
11 e 12 – Postos Telegráficos de Ji-Paraná e Jaru
Fonte - www.puraverdade.com.br
Fonte - www.puraverdade.com.br
Dos dezesseis
postos telegráficos edificados por Rondon no Estado de Rondônia, apenas dois
sobreviveram ao tempo e ao abandono, sendo eles os que foram instalados nos
municípios de Vilhena e Ji-Paraná. O Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan) realizou a instrução do processo de tombamento nº
1055- T – 82 destas antigas estações telegráficas, que serão restauradas,
revitalizadas e musealisadas.
4 – A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré – Breve Relato Histórico
Também
conhecida como a “Ferrovia do Diabo” devido as grandes perdas humanas que
aconteceram no período de sua construção. A EFMM foi construída no período de
1907 a 1912, com a finalidade de ligar Porto Velho a Guajará-Mirim, para o
escoamento da borracha da amazônica brasileira e boliviana.
Figura
13 – Mapa da Ferrovia
Fonte - www.vfco.brazilia.jor.br
Fonte - www.vfco.brazilia.jor.br
O projeto
“Madeira-Mamoré Railway” foi apresentado com a intenção de solucionar o
problema de uma falta de passagem sobre o rio Madeira, na época em que o Brasil,
através do Tratado de Petrópolis, adquiria a posse sobre as terras que hoje
pertencem ao estado do Acre.
Este projeto
teve como objetivo dinamizar a distribuição da borracha amazônica boliviana e
brasileira até a cidade de Porto Velho, que daria origem a um ponto de
escoamento. Saindo de Porto Velho, a borracha, bem como outras tantas
mercadorias, seguiriam a rota fluvial pelo rio Madeira e também pelo rio
Amazonas até chegarem ao oceano Atlântico.
Figura
14 - Porto Velho surgiu com o movimento causado pelo porto na época da
construção
(foto Danna Merryl)
Após duas
desastrosas tentativas de construção da ferrovia no século XIX, ela recebeu
volumosas somas de dinheiro do empresário norte-americano Percival Farquhar.
Havia até o mito de que mesmo com todo o dinheiro do mundo e metade da
população empenhada na obra, seria impossível construí-la. Mas Farquhar aceitou
o desafio e afirmou:
“(...)
vai ser o meu cartão de visitas”
Foi finalizada
em 30 de abril de 1912, data que também marcou a fundação da cidade de
Guajará-Mirim, contudo muitos trabalhadores pereceram durante a sua contração,
vítimas de acidentes de trabalho e de inúmeras doenças tropicais.
Figura
15 – Pacientes no Hospital da Candelária
(Foto Danna Merryl)
(Foto Danna Merryl)
Com a
decadência da borracha brasileira, em decorrência do plantio da seringueira na
Ásia, a ferrovia também entrou em crise. Nos anos 30, a Estrada de Ferro foi
parcialmente desativada.
Em 25 de maio de 1966, após 54 anos de atividades,
a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré teve sua desativação determinada pelo então
Presidente da República Humberto de Alencar Castelo Branco, para ser
substituída por uma rodovia, para que não houvesse o rompimento e
descumprimento do Tratado de Petrópolis.
E em 10 de julho de 1972 as máquinas apitaram pela
última vez, ficando assim a ferrovia no abandono por muitos anos, tendo
parte do seu acervo vendido como sucata para uma empresa siderúrgica de Mogi
das Cruze, São Paulo. (fonte Fernando Rebouças).
4.1 – O Legado Patrimonial
Em
10 de novembro de 2005 a nossa
histórica ferrovia foi tombada pelo (IPHAN) e em 28 de dezembro de 2006, o
Ministério da Cultura homologou, através da Portaria 108, o tombamento da Estrada
de Ferro Madeira-Mamoré como Patrimônio Cultural Brasileiro.
“DOU
19.07.2007
Define
os critérios para controle de intervenções sobre o conjunto Histórico,
Arquitetônico e Paisagístico do Pátio Ferroviário da Estrada de Ferro
Madeira-Mamoré, na Cidade de Porto Velho/RO, tombado pelo IPHAN nos termos do
Decreto-Lei nº 25/37, e dá outras providências.
O
PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL - IPHAN,
no uso das atribuições que lhe confere o inciso V do art. 21 do Decreto nº 5.040,
de 07 de abril de 2004, e considerando:
Que
o Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico da Estrada de Ferro
Madeira-Mamoré (EFMM), formado pelo Pátio Ferroviário, os oito quilômetros de
estrada de ferro que vai da Estação Central até a Estação de Santo Antônio, as
três Caixas d'água e o Cemitério da Candelária, na Cidade de Porto Velho-RO, em
razão de possuírem um excepcional valor cultural, são monumentos integrantes do
Patrimônio Cultural Brasileiro, na forma e para os fins do Decreto-Lei 25/37 e
do Processo IPHAN no- . 1220-T-87;”
Assim, o IPHAN autorizou, em novembro de
2011 o início das obras de restauração da grande oficina da Estrada de Ferro
Madeira-Mamoré, que possui 5.700 m2 e 13 metros de altura, contudo ainda há um
grande descaso com o patrimônio da EFMM, como atestam as fotografias a seguir:
Figuras
16 e 17 – locomotivas e ponte de metal abandonadas
Fonte - www.gentedeopiniao.com.br
Fonte - www.gentedeopiniao.com.br
Figuras
18 e 19 – Mobília da EFMM empilhada em uma caminhão e túmulo do
Cemitério da Candelária
Fonte - www.rondoniaovivo.com
Fonte - www.rondoniaovivo.com
5 – Considerações
Finais
Todas estas
imagens, fotografias e mapas que vimos ao longo do desenvolvimento deste
trabalho, apontam e comprovam o grande descaso e irresponsabilidade do Poder Público
para com o patrimônio histórico material do Estado de Rondônia. Há uma
perturbadora falta de zelo para com os símbolos que representam a formação
desse estado que possui uma das histórias e culturas mais interessantes do país.
Estamos presenciando
tempos de constantes transformações e “desenvolvimento” econômico que, banhados
pelos ideais capitalistas, fecham os olhos para o nosso patrimônio histórico
material e imaterial, objetivando apenas o lucro pelo lucro. Uma irracional
rejeição ao dito “velho”, como se impedisse e atrasasse o progresso, mas muito
pelo contrário, auxilia e impulsiona-o.
Claramente não
está sendo levado em conta que este progresso é vazio se não tiver como base o
respeito à memória e à cultura do povo que, constantemente mantido às escuras
pelos governantes, sem uma devida e extremamente necessária educação
patrimonial, torna-se gado e massa de manobra. Uma
das maneiras mais eficazes de despertar o interesse de uma população para a sua
história é o estímulo e incentivo que ocorre por meio de uma educação
patrimonial. Porém uma educação patrimonial demagógica, de discursos
memorizados não funciona, as questões patrimoniais devem estar vivas e presentes
nas escolas, nas empresas, nas conversas de bares, nas passeatas, no dia-a-dia
da nação. Quando um povo não dispõe desta ferramenta para manter vivo esse
interesse, os acontecimentos importantes e os rotineiros vão ficando apenas nas
narrativas e tradições orais daqueles que presenciaram àquelas situações e infelizmente
morrem com eles.
Não
cuidar do passado de um povo é um crime muito cruel, é alienar o mais fraco, é
subjugar aquele que não sabe se defender e que muitas vezes nem sabe da
necessidade de se defender. Por isso precisamos obrigar urgentemente que nossos
representantes políticos tornem a preservação ao patrimônio uma prioridade,
assim como a educação, a saúde, a seguranças, o lazer, etc., pois um país que
preserva e respeita a memória de seu povo, forma criadores e não apenas meros
espectadores, chama as pessoas a refletirem sobre as suas realidades. Movimenta,
Cria, Muda!
6 – Bibliografia Consultada
BARBOSA, Francisco de Assis;
NUNES, José Maria de Souza. Real Forte Príncipe da Beira. Rio de
Janeiro: Spala Editora/Fundação Emílio Odebrecht, 1985.
FARIA, Miguel. Príncipe da Beira:
a fortaleza para além dos limites. Lisboa: Revista Oceanos, nº 28,
out.-dez/1996, p. 54-68.
FARIAS,
Marcello. Príncipe da Beira, um forte de grande importância na consolidação da
nossa fronteira. s.l.: Revista Nacional, nº 229, Semana Ilustrada, p. 9.
FERREIRA, Arnaldo Manuel de
Medeiros. Fortificações Portuguesas no Brasil. Lisboa: Elo/Círculo das
Letras, 2004. p. 135.
GARRIDO, Carlos Miguez.
Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História
Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
MENDONÇA, Marcos Carneiro de.
"O Caminho do Mato Grosso e as Fortficações Pombalinas da Amazônia". RIHGB,
Rio de Janeiro, vol. 251, abr/jun de 1961, p. 3-32, mapas.
OLIVEIRA, José Lopes de (Cel.).
"Fortificações da Amazônia". in: ROCQUE, Carlos (org.). Grande
Enciclopédia da Amazônia (6 v.). Belém do Pará, Amazônia Editora Ltda,
1968.
OLIVEIRA, Ovídio Amélio de. Geografia de
Rondônia – Espaço e Produção. Porto Velho. Editora Dinâmica, 2005.
__________________________. História –
Desenvolvimento e Colonização do Estado de Rondônia. Porto Velho. Editora
Dinâmica, 2004.
Revista História Viva, nº 14, pg 30-41.
"Dossiê Madeira-Mamoré". Editora Duetto. São Paulo. (2004).
s.a. Histórico do Real Forte
Príncipe da Beira (2ª ed.). Porto Velho (Brasil): Governo do Estado de
Rondônia; Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Turismo; Departamento de
Cultura, 1983. 22 p. il.
TEIXEIRA, Marco Antônio Domingos
e FONSECA, Dante. Rondônia – História Regional, 1997.
















