domingo, 29 de maio de 2016

Hora de Acordar

Levante-se!
Não permita que te subjuguem.
Cante a canção do homem,
grite a canção da vida!
Cante, grite!
Tua canção é digna de ser ouvida...
Levante-se!
Deixe a ira ser vista nos teus olhos.
Não permita que cortem a última árvore do teu bosque,
a última flor do teu jardim!
Não se cale...
Cante, grite!


Terra

Terra...
A árvore da vida em chamas.
Fogo refletido nos olhos da índia que esqueceu seu nome.
Nos olhos ferozes de quem a tudo um nome novo dá!

Terra...
A benção onde germinam sonhos.
Desejos usurpados e violentados pelo latifúndio.
Ferida aberta. Adubo feito com sangue e lágrimas camponesas!


Fome

Que fome que corrói as entranhas da minha mente...
Quero ingerir uma prosa orgânica e versos calóricos.
Insaciavelmente quero degustar sonetos!
Devoro livros, sorvo poemas...
Meu cálice nunca está vazio, ao contrário!
Transborda vinhos de telas tintas,
licores de aromas esculturais.
Tenho a arte como maná, como panaceia.
Perto de mim vejo Baco em uma vinícola de ideias e
Ceres em plantações de sonhos...
Prossigo insatisfeito, faminto!

Recomeçar

Um recomeço e seu primeiro passo...
Pés descalços a tocar a incerteza, terra tão fria!
Um segundo passo, novos calos...
Já é tempo de correr.
Corre menino, corre!
O mundo urge em lhe rever.

Amadurecer

Aqui, como que desgarrado de mim mesmo.
Sem arrependimentos, sem certezas... nada importa!
A voz ecoa no vazio entorpecido,
a mente se abstrai, o suplício já não fere tanto.
Acalmo meus olhos, repouso as mãos.
A música preenche os espaços e hiatos...
Nada mais de tatear o escuro,
caminharei guiado pelo som do vento,
minha única realidade.

Escolhas

O tempo finge ser um pai compreensivo:
Vá filho, és livre, siga o teu caminho.
Tempo, tempo...
Nem pai, nem amigo.
Apenas um implacável punidor!

Ilusão

Sorrisos escondidos no tempo, amargos por trás dos dentes.
Não confortam, não correspondem, murcham as folhas.
A última pá de cal...

Olhares soltos ao vento, chocando-se contra as paredes.
Ninguém os colhem, são semeados nas rochas.
Queimam sob a luz do sol...

Mãos no peito se perdendo, procuram todos os prazeres.
Tocam, se entregam, ferem, inimigas, mentirosas...
O inicio de todo mal...

Epifania

Aqui, onde a estrada finda,
não faz diferença olhar para a esquerda ou direita.
O peso fica suportável, possibilita a grata visão do todo!
Eternizar-se em palavras e princípios?
Convicções tão sólidas? Tolice!
Tudo dissipa-se na mais suave brisa...

Dicotomia

Sempre flertei com a inconstância.
Hoje quente, amanhã frio.
Hoje não, amanhã sim!
As incertezas duelam com as afirmações.
A boca nega, os olhos confirmam.
Falta-me a passividade do meio,
do morno, do talvez...

Meus trinta e poucos anos

A alvorada da vida, o despertar...
O sangue ferve nas veias,
chega à boca com gosto de vinho,
esquenta o corpo como ferro sendo forjado!
O entardecer, tudo se acalma...
Os pensamentos estão cansados,
os rostos já não são mais tão atraentes,
os sorrisos escondem o que os olhos não negam!
É o anoitecer da alma...
Aí, uma nova manhã vem!
Trás novas possibilidades,
certezas de infinitos recomeços,
sorrisos recíprocos e verdadeiros.
Nota que ainda há beleza...
O caminhar volta a ser firme, os passos largos!
Os sonhos estão livres, as quedas não doeram tanto...
Afinal, não se passou tanto tempo assim!

CRIAR

CRIAR I

Luto e ressurreição das ideias.
Perco-me. Reencontro-me.
A pena está muda,
os versos deslizam entre os dedos,
a poesia nasce entre espinhos.
Vi de longe o ideal...
Quis tocá-lo, veementemente afirmá-lo!
Mas as mãos se perderam
e os lábios não conseguiram...

CRIAR II

Prosas e poesias em sono profundo.
A liberdade do papel e caneta apresentada...
Punho firme, papel ferido, intimidade exposta.
Que pena. Sangue em vão! Nada de novo ocorre.
Volto aos sonhos e ao papel em branco.

sábado, 28 de maio de 2016

Renovar-se

O vento sopra mudanças lá fora,
clima propício ao devaneio.
Hora de romper com o óbvio e flertar com o novo...
Nada mais de desejos ocultos pela noite!
Inspiro o fardo do dia e expiro a leveza de uma manhã de sol.
Tudo parece bem, todos há de serem bons...

E Hoje? Libertar-se...

Hoje os amigos não estarão presentes,
olhares não se encontrarão.
Sorrisos de aprovação? Não, hoje não!
Apenas o caminho, suas pedras e a poeira do tempo...
Hoje os amigos não erguerão suas taças,
nada de ombros ou abraços.
A opção pela liberdade é uma porta aberta, mas passarás sozinho por ela... irás à rua?
Em casa ou lá fora, traçarás o vosso destino...
Seguir a todos ou tentar um passo diferente?
Desafiam-te os olhos acusadores, cenhos franzidos.  
Quem és? Como permitir-se tudo?
Ora, a liberdade não é recompensa, é responsabilidade!
Irás lá fora? A porta ainda está aberta.
Se fores, reconhecerás alguém e juntos receberão uma sentença...
Absolvição, culpa, quem sabe?
As respostas virão, mas vocês já estarão longe...




sexta-feira, 27 de maio de 2016

Nós entre os 30...

O ser humano passa a vida toda amando e sendo amado, mudando de relacionamentos (monogâmicos ou poligâmicos) e muitas vezes não chega nem perto de ter 30 parceiros sexuais durante toda a sua existência. Estamos falando de relacionamentos ou parcerias sexuais onde a regra é o amor, o carinho e o consentimento. Pois é meus amigos, essa moça foi ESTUPRADA por mais de 30 homens em uma única noite! ESTUPRO, onde a regra é a violência, o desprezo pela vítima e a força. Tamanha brutalidade e bestialidade só são comumente vistas em tempos de guerra! É para todos ficarmos chocados mesmo! Todos temos que discutir, escrever, comentar e lutar até que a cultura do estupro acabe! Principalmente nós homens, pois somos os principais culpados e disseminadores desse mal. Sim, fazemos parte desses 30 monstros! Quando colocamos a culpa do estupro na vítima, quando dizemos que ela mereceu ou quando afirmamos que o fato não teria ocorrido se ela estivesse em casa ou na igreja. Mesmo nas pequenas atitudes do dia a dia nós fazemos parte desses 30 canalhas. Nos nossos machismos diários, inferiorizando as mulheres, quando as agredimos, as ofendemos pelo tamanho de suas roupas, as coagimos nas baladas e criticamos suas lutas e ideais feministas... São tempos difíceis, elas estão realmente em guerra! Só não podemos deixá-las guerreando sozinhas. Temos todos que combater o bom combate, homens e mulheres juntos contra a cultura do estupro, diariamente, pois é o bem maior que está em jogo, a VIDA!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Luto ou Lutar?

Não vou ficar aqui torcendo pelo pior! O “EU AVISEI” me parece muito egoísta e cheio de ego em algumas ocasiões. Não é doce como um "EU TE AMO" ou sincero como um "ME PERDOA", ao contrário, é amargo e cheio de angústia. Tenho uma filha para criar e prezo muito pelo futuro dela. Para isso o Brasil precisa de estabilidade política e econômica, mas também não vou me calar ante as aberrações da nossa política. É pelo futuro delas, as crianças, que não podemos fechar os olhos, temos sim que discutir e repensar. A motivação da derrubada da Dilma não foi a retomada da ética e o combate à corrupção? Não era essa a bandeira que todos levantaram nas ruas? Pelo jeito para Temer (que está inelegível) não é bem assim. Teve a oportunidade de escolher um ministério técnico, sério e voltado para o crescimento do Brasil, mas não o fez! Loteou o país como todos os outros fizeram antes (PSDB e PT). Dividiu as pastas entre os novos aliados do PMDB apenas para satisfazer os seus interesses pessoais. Alguns dos escolhidos estão inclusive sendo investigados pela operação laja-jato, como: Romero Jucá, que assume o Planejamento; o ex-deputado Henrique Eduardo Alves agora no Turismo; o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima que está na Secretaria de Governo; Bruno Araújo que assume as cidades e Ricardo Barros na Saúde. As nossas escolhas dizem muito sobre o que nós somos e o que pensamos. Não me parece uma boa escolha para combater a corrupção. Está claro que é apenas o poder pelo poder, senão nas urnas, na marra... E agora? O que esperar? Talvez piore, talvez melhore. Torço pelo melhor, temos que torcer pelo melhor. É o nosso futuro que está em jogo! Até pedirei desculpas futuramente pelas palavras ferinas se eu estiver errado, pois só não quero ter que dizer, com gosto de fel na boca, “EU AVISEI”.